Neutralidade autoritária: Suíça foi destaque no apoio à ditadura

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Neutralidade autoritária: Suíça foi destaque no apoio à ditadura

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De camisa polo, sentado em uma varanda, cercado de folhagens tropicais e a três dias do verão carioca de 1970, o empresário suíço Anton Von Salis, então presidente da Swisscam, a Câmara de Comércio Suíço Brasileira, explicava porque os trabalhadores no Brasil podiam ganhar menos que os da Europa:

“As necessidades são totalmente diferentes. Aqui não faz frio. E eles têm casas. Podem ser casas relativamente simples, mas suficientes para a natureza do país. Mas certamente (…) é um valor bastante baixo”.

Notícias relacionadas:Pesquisa identifica cela em que ditadura simulou suicídio de Herzog.Ditadura como negócio: podcast revela quem lucrou com o regime de 64.“Não posso parar”, diz ativista que perdeu familiares na ditadura.A declaração foi dada à RTS, a empresa de rádio e TV pública da Suíça. Para Von Salis o golpe que arrastou o Brasil para 21 anos de ditadura militar garantiu estabilidade, mão de obra barata e caminho aberto para o lucro do capital suíço. 

Um levantamento feito por Gabriella Lima, pesquisadora da Universidade de Lausanne, na Suíça, comparou os salários pagos pelas 14 maiores multinacionais suíças, no ano de 1971, e mostrou como foi lucrativo para as empresas contar com um regime que sufocou sindicatos, impediu greves e silenciou reivindicações trabalhistas. 

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